Orçamento de Estado 2012

I’m sorry to all of you that don’t understand portuguese. But today, in our Parliament, we’re having the 2012 National Budget discussed and voted. And this is something I have to say in portuguese. I will post, in a few days, a summary of our situation, from my point of view, in english. But for now, I’m gonna leave you with my post in portuguese.

Discussão do Orçamento de Estado de 2012 na generalidade
Bem, ouvindo os últimos “acordes” da discussão na generalidade do Orçamento de 2012, já não consigo não comentar.

Estou desiludida com a Oposição. Costumavam ter melhores argumentos. Nunca se ouviu tanto a porcaria da frase que “os partidos da maioria estão a contradizer as promessas eleitorais”. A sério? Que eu saiba, quando um partido entra na corrida eleitoral, não se lhe é entregue um dossier com toda a situação financeira do País. E que eu saiba, desta vez também não aconteceu. Na altura da campanha, não se sabia da dívida do Alberto João. Não se sabia concretamente o valor da dívida, porque as contas feitas pré-Troika estavam erradas. E mesmo quando a Troika cá veio, de tão inteligente que o governo anterior era, até conseguiu esconder mais alguns milhõezitos do bolo comum. Desculpem, mas não se pode usar esta frase feita em relação à campanha, nenhum partido passaria nessa prova, nenhum partido sabia no início, naquilo que se ia meter. A única coisa que sabiam eram os pontos acordados com a Troika, mas não sabiam tudo, nem poderiam saber. Apenas o PS.

1570646_orig

Há várias pessoas que assim que sobem ao palanque já nem consigo ouvir e literalmente tiro o som.

Ouvi os Verdes a dizer que Portugal só pode ter novamente credibilidade no exterior se aumentarmos a produção. Pois então o que vocês têm se fazer é deixar de apoiar greves. Todos os partidos. Porque as greves, mesmo ao sábado, são um factor directo de diminuição de produção!

Está agora alguém a completar que Portugal, sendo um dos países da UE que mais horas de trabalho tem por ano, vai ter agora mais meia hora diária, menos 4 feriados e menos pontes. Pois, coitadinhos! Qualquer pessoa que já tenha trabalhado na função pública sabe que, mesmo o melhor trabalhador, está sempre à procura de uma desculpa para não ir trabalhar uma tarde, um dia ou meter baixa psicológica por estar cansado! E não se enganem, porque este tipo de baixas é muito muito fácil de arranjar.

7744313_orig

A oposição devia era fazer o cálculo do dinheiro que Portugal vai perder só nas próximas duas greves previstas, a de amanhã e a de dia 24. Eu acho bem que as pessoas se manifestem, até acho. E só tenho pena que a maioria do povo que vai para essas manifestações, se lhes fizerem algumas perguntas, se revelem totalmente ignorantes no que se está a passar, sabendo apenas as “frases feitas” que utilizam na manifestação e nos folhetos interventivos.

Um amigo meu contou-me que ouviu na RTP1 uma reportagem em que faziam o cálculo da proporção de pessoas activas em Portugal, pessoas que realmente trabalham. Retirando os valores dos idosos, dos menores, dos desempregados, dos doentes em baixa médica (e dos não doentes em baixa médica) e outros que estejam impedidos, neste momento nós temos 1 em cada 2 Portugueses a trabalhar! Só temos cerca de 5 milhões de Portugueses capazes de produzir! Não temos 10 milhões menos a taxa de desemprego! Pensem nisso! Se destes começarmos nesta rotina de “vou aproveitar todas as pontes até ao final do ano” e “vou aproveitar todas as greves porque assim pode ser que tenha melhores condições” Portugal não vai conseguir. Acordem para a vida! Vistam a camisola da vossa empresa e tentem ajudar, porque é isso que será necessário. E se não gostarem da vossa empresa o suficiente, se estiverem a trabalhar em condições com que não concordam mesmo nada, despeçam-se! E depois vão ver como é. Mas se não trabalharmos todos para o mesmo, se calhar algumas empresas não vão mesmo conseguir sobreviver. E depois não há possibilidade de se fazer ponte ou greve ao trabalho…

2966905_orig

Ontem ouvi alguém da oposição, não me lembro quem, a dizer que tinha achado uma grande falta de respeito que o Ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, não tenha estado presente na primeira parte da discussão. Ao que, da melhor maneira que já tinha ouvido, o ministro respondeu: “Não estive porque nós trabalhamos, senhor deputado. Nós trabalhamos.”

Pois, o que eu digo é que já fazia falta um governo que ache mais importante estar a trabalhar do que estar numa discussão que, convenhamos, é sempre mais do mesmo! E se um governo como este, fosse de que partido fosse, já tivesse estado a trabalhar há muitos mandatos atrás, talvez não estivéssemos como estamos! Parem de dizer porcaria! Pensem e não digam só porque assim acham que se estão a opor! Oposição não quer dizer necessariamente estar contra! Oposição aqui deve apenas significar ser de partidos diferentes!

3693257_orig

Gostei muito de ouvir, apesar de saber que foi um golpe publicitário bem grande, o António José Seguro a dizer que está contra o orçamento, mas a favor do País. Assim é que devia ser sempre. Sempre. Mas não.

Acabou agora de dizer Telmo Correia a António José Seguro: “Diz vossa excelência que devolver um subsídio é uma causa. Devolver um subsídio pode até ser uma ideia, agora não é uma causa. Uma causa é salvar Portugal.” Telmo Correia acabou de ganhar pontos no meu livro.

8550435_orig

Eu compreendo, tal como não devemos julgar este Governo pela dívida portuguesa, não devemos julgar o novo Secretário Geral do PS pelo que foi feito pelo seu predecessor. Mas há com toda a certeza motivos para o sr. engenheiro Sócrates nunca mais ter aparecido e estar escondido debaixo de uma pedra qualquer. Está a tentar fazer-se passar despercebido porque sabe o que fez. Porque está a tentar fazer com que as pessoas se esqueçam dele e que se esqueçam que quem está por trás desta dívida deveria ser legalmente culpabilizado. Porque tem vergonha e eu acho que ele tem razão em tê-la.

8117259_orig

Luís Montenegro colocou a questão de sermos ou não capazes de atingir os objectivos e ultrapassar a crise. Não enquanto partido, não enquanto Governo, mas todos em conjunto. Eu sinceramente acho que somos. Mas para isso, Portugal precisa de parar e acordar. Já passou o tempo em que se nos cair uma unha, temos um subsídio de doença vitalício por incapacidade de trabalhar. Claro que é um exagero, mas nós estávamos mal habituados a que tudo nos caísse no colo. Obviamente que assim não íamos conseguir ir longe… Se todos fizermos a nossa parte (e acreditem que a classe política e os “ricos” também estão a ser contemplados neste orçamento) vamos poder ultrapassar tudo isto. Claro que não vai ser num mês ou num ano. Mas cá estaremos quando isto passar. Bem, eu talvez não, provavelmente vou ver Portugal a ter sucesso novamente da outra margem do Oceano, mas vou ter orgulho sempre no meu País.

A única coisa que espero é que, quando finalmente ultrapassarmos esta crise, que Portugal saia forte e inteligente o suficiente para que não voltemos a vícios anteriores. Porque Portugal e os portugueses estão habituados a gastar o que têm. Acho que este é o tempo de criar novos hábitos, mais saudáveis e mais sustentáveis.

Mas isto é só a minha opinião.

Nota: este texto foi escrito em português, e não em brasileiro, condição que o PS acordou com o “país irmão” e que eu sou total e veemente contra.

Sofia @ Something on Everything

I’m a 32 year old Portuguese Psychomotricist / Early Intervention Specialist that loves to write about everything! Here you’ll find a lot of different and great topics, but lately I’ve been loving to write about Food, Fitness and DIY! Hope you enjoy it and follow me on a journey to a better self!

Aside from the social media links on the top of the page, you can also connect with Sofia Linha on:Google+